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Cidades TURISMO

Estado pavimenta último trecho da Estrada Ecológica

Obra projeta sítios arqueológicos como atrativos turísticos

31/05/2021 14h14
Por: Redação Fonte: Asecom
Estrada-Parque tem grande potencial turístico: asfalto corta a morraria, onde passam o Rio Aquidauana e a antiga ferrovia Noroeste do Brasil
Estrada-Parque tem grande potencial turístico: asfalto corta a morraria, onde passam o Rio Aquidauana e a antiga ferrovia Noroeste do Brasil

O Governo do Estado concluiu a pavimentação do trecho de 765 metros da MS-450 – Estrada Ecológica que passa pelos vales da Serra de Maracaju, entre os municípios de Aquidauana e Dois Irmãos do Buriti -, em cuja extensão foram localizados sítios arqueológicos nas faixas de domínio que remontam ao período estimado de 10 mil anos.

Com a ocorrência arqueológica, o Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Arquitetônico Nacional) suspendeu inicialmente a pavimentação do trecho, de um total de 18,4 km que estava sendo executado pelo Estado, e um estudo da área foi contratado pela Agesul (Agência Estadual de Gestão de Empreendimentos) para posterior liberação da obra de infraestrutura.

Além de concluir o asfaltamento da rodovia de grande apelo ambiental, cultural e turístico, onde a totalidade dos investimentos somam R$ 21 milhões (recursos do Fundersul), o Governo do Estado, em acordo com o Iphan, projeta a construção de um museu a céu aberto no local onde foram encontrados fragmentos pré-indígenas.

Resgate histórico

O museu está sendo implantado com orientação do professor e arqueólogo Gilson Martins, com mais de 30 anos de experiência na área, no pé de um morro que compõe a serra e onde foram encontradas inscrições rupestres. O local fica próximo ao limite dos distritos de Palmeiras (Dois Irmãos do Buriti) e Piraputanga (Aquidauana)

O espaço será composto por sinalização turística e de informações sobre o achado, além de uma pedra de arenito com réplicas das inscrições encontradas nos paredões da morraria. Como uma espécie de identidade do local, as gravuras estão sendo reproduzidas pela artesã aquidauanense Anelise Godoy.

O arqueólogo Gilson Martins destacou o apoio do Governo do Estado para garantir o resgate histórico de um período pós Era do Gelo e a preservação da área, salientando que análise de uma mostra de carvão encontrado ao lado da estrada, feita nos Estados Unidos, indica idade de 10,1 mil anos.

Segundo ele, o período corresponde a ocorrência de animais de grande porte na região, como o tigre-dentes-de-sabre e preguiça gigante, cujos fósseis foram encontrados na Serra da Bodoquena. “São achados expressivos de uma época em que predominaram os caçadores-coletores. Houve grandes transformações ambientais ao longo dos anos, até a chegada dos primeiros seres humanos”, informa.

Gestão do patrimônio

A pesquisa da área de ocorrência arqueológica – cerca de 2,5 km dentro da faixa de domínio da estrada – foi iniciada pelo Governo do Estado durante a pavimentação da MS-450, cuja obra foi entregue no ano passado pelo governador Reinaldo Azambuja. Foram coletadas mais de 200 peças usadas pelos povos ancestrais, como pedra lascada e carvão.

Esse material deverá ser exposto na histórica estação ferroviária de Piraputanga, uma das mais preservadas ao longo da ferrovia, conforme estudo em andamento pelo Governo do Estado, Iphan, prefeitura de Aquidauana e Comitê Gestor da Estrada-Parque.

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